"Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu. Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias. Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar. Onde leva? Não perguntes, segue-o. "
Na sua sabedoria, Nietzsche resume todo o dilema de nossa existência: seguir em frente! Mas se é tão simples dar um passo e depois outro, por que isso é um dilema? Ora, porque seguir em frente dá trabalho! Claro que existem soluções mágicas que encontramos mesmo em pílulas para se viver melhor e nós, na nossa sede por facilitar a vida, muitas vezes caímos nas armadilhas de promessas sem fundamento. Não, seguir em frente não é nada fácil. Saber o caminho que pisamos só depende de nós mesmos. Ninguém é capaz de construir para o outro as pontes que forem necessárias atravessar. No entanto, como diz Nietzsche, se encontramos alguém dotado da proesa de facilitar nossa vida, certamente nos comprometemos com algo em troca. O que ele atenta é que, muitas vezes, trocamos nossa própria identidade, nossa moral, nossos valores, pela facilidade que compramos. Mas até onde chegamos assim? Será que o resultado alcançado por meio dessas facilidades compensa?
Cada um é livre para fazer a sua própria escolha: Seguir em frente construindo por conta própria a sua estrada ou seguir em frente carregado pelos outros à mercê do caminho que escolhem para você. Se o momento é de incertezas, dúvida, cansaço, espere! Não atravesse o rio de qualquer jeito ou na oferta do primeiro que aparece. Talvez seja melhor sentar, molhar os pés, ouvir o som das águas, perceber a força com que bate nas pedras, beber um pouco dessa água e só depois de bem descançado seguir em frente.







