Logo pela manhã encontro um excelente texto de Rubem Alves aberto no computador: Memórias burras nunca esquecem. Há três dias até o vestiblar da UFRGS e meu marido prestará exame para ciências econômicas. Suas últimas horas livres são para exorcizar o fantasma das provas.
É exatamente isto o que Rubem Alves tenta fazer em seu texto: exorcizar os dramas e as neuras provocados pela preparação para o vestibular. O texto inicia com um tom de graça ao levantar a idéia de que nem mesmo um renomado professor universitário conseguiria ser aprovado em todas as provas do vestibular. Afinal, para que serviriam os conhecimentos exigidos nesta prova?
Na minha turma de ingresso na Psicologia, o colega número um, aquele que passou em primeiro lugar, cursou apenas um semestre. Trocou de psicologia para publicidade. Outros também com excelentes colocações saíram para medicina, arquitetura, letras, pedagogia... e mesmo alguns que se formaram psicólogos hoje caminham por veredas profissionais bem distantes. Não foi o conhecimento do vestibular que garantiu que eles seriam exímios e dedicados estudantes de psicologia, nem mesmo bons profissionais da área. O que me faz pensar que Rubem Alves tem razão. A memória exigida para se passar no vestibular é uma memória burra.
A idéia do autor é de que a memória inteligente fixa aquilo que dá prazer e só carrega aquilo que é necessário. E eu complemento afirmando que a memória é curiosa e ativa, muito diferente da memória que precisa ter um vestibulando. Para a prova é-lhe exigido decorar fórmulas e tratados homéricos que, na sua grande maioria, não passarão nem perto daquilo tudo que será necessário durante a faculdade. E mais, durante a sua vida. Claro, é muito legal saber que posso calcular a área deste monitor que me olha mas, sinceramente, não me interesso por isso. Então, imagina o sofrimento de um jovem que vai prestar prova para ciências econômicas ter que decorar como são formadas as cadeias de carbono!
Aplaudo a provocação de Rubem Alves! E incito ainda uma última reflexão: será que é necessário mesmo passar por tudo isto? Existem muitos caminhos de trabalho e criação e a faculdade é apenas mais um deles. Claro que tem um grande marketing que prega aos quatro ventos que sem um diploma você não é ninguém. Mas tenho um grande amigo, poliglota (é a pessoa mais poliglota que já vi, ele fala umas dez línguas fluentemente), autodidata, que trancou a faculdade de direito no último semestre, na época do trabalho de conclusão. Ele não gosta da idéia de ser advogado e cursou por pressão da família. No entanto, trabalha como tradutor e intérprete ganhando muito, muito melhor do que certamente ganharia sendo um advogado frustrado.
É preciso reinventar caminhos e possibilidades para a vida. De fórmulas prontas já bastam as que temos que engolir para responder as provas do vestibular.
Eis na íntegra as palavras de Rubem Alves: Memórias Burras nunca esquecem
É exatamente isto o que Rubem Alves tenta fazer em seu texto: exorcizar os dramas e as neuras provocados pela preparação para o vestibular. O texto inicia com um tom de graça ao levantar a idéia de que nem mesmo um renomado professor universitário conseguiria ser aprovado em todas as provas do vestibular. Afinal, para que serviriam os conhecimentos exigidos nesta prova?
Na minha turma de ingresso na Psicologia, o colega número um, aquele que passou em primeiro lugar, cursou apenas um semestre. Trocou de psicologia para publicidade. Outros também com excelentes colocações saíram para medicina, arquitetura, letras, pedagogia... e mesmo alguns que se formaram psicólogos hoje caminham por veredas profissionais bem distantes. Não foi o conhecimento do vestibular que garantiu que eles seriam exímios e dedicados estudantes de psicologia, nem mesmo bons profissionais da área. O que me faz pensar que Rubem Alves tem razão. A memória exigida para se passar no vestibular é uma memória burra.
A idéia do autor é de que a memória inteligente fixa aquilo que dá prazer e só carrega aquilo que é necessário. E eu complemento afirmando que a memória é curiosa e ativa, muito diferente da memória que precisa ter um vestibulando. Para a prova é-lhe exigido decorar fórmulas e tratados homéricos que, na sua grande maioria, não passarão nem perto daquilo tudo que será necessário durante a faculdade. E mais, durante a sua vida. Claro, é muito legal saber que posso calcular a área deste monitor que me olha mas, sinceramente, não me interesso por isso. Então, imagina o sofrimento de um jovem que vai prestar prova para ciências econômicas ter que decorar como são formadas as cadeias de carbono!
Aplaudo a provocação de Rubem Alves! E incito ainda uma última reflexão: será que é necessário mesmo passar por tudo isto? Existem muitos caminhos de trabalho e criação e a faculdade é apenas mais um deles. Claro que tem um grande marketing que prega aos quatro ventos que sem um diploma você não é ninguém. Mas tenho um grande amigo, poliglota (é a pessoa mais poliglota que já vi, ele fala umas dez línguas fluentemente), autodidata, que trancou a faculdade de direito no último semestre, na época do trabalho de conclusão. Ele não gosta da idéia de ser advogado e cursou por pressão da família. No entanto, trabalha como tradutor e intérprete ganhando muito, muito melhor do que certamente ganharia sendo um advogado frustrado.
É preciso reinventar caminhos e possibilidades para a vida. De fórmulas prontas já bastam as que temos que engolir para responder as provas do vestibular.
Eis na íntegra as palavras de Rubem Alves: Memórias Burras nunca esquecem







